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Financiamento Climático

  • Foto do escritor: Rafaella Mello
    Rafaella Mello
  • 24 de jul.
  • 4 min de leitura

O financiamento climático consiste na governança financeira de programas e projetos que visam lidar com os impactos das alterações climáticas e diminuir a possibilidade de um colapso climático, com operações que se concentram principalmente em projetos de mitigação — que buscam reduzir emissões de carbono— e em projetos de adaptação, voltados a diminuir vulnerabilidades e fortalecer a resiliência frente aos impactos climáticos (IPCC, 2023). Os investimentos em financiamento climático são interpretados por alguns autores como bens comuns, que produzem externalidades positivas das quais todos podem se beneficiar (Michaelowa & Namhata, 2022).


A Conferência Internacional das Nações Unidas sobre Financiamento para o Desenvolvimento vem sendo um fórum importante desses debates. De Monterrey em 2002 a Sevilla em 2025, houveram discussões para a mobilização de fluxos públicos e privados de investimento, particularmente em direção à cooperação entre instituições financeiras de desenvolvimento (UN FFD4, 2025).


Concomitantemente, as Conferências das Partes (COP) da ONU vêm estabelecendo compromissos globais para enfrentar as mudanças climáticas, com a recente meta coletiva de mobilizar US$ 300 bilhões anuais até 2035 para financiar ações climáticas em países em desenvolvimento durante a COP 30 em Belém, em 2025 (COP 30, 2025)¹.


Há fontes públicas - como fundos climáticos e bancos de desenvolvimento em diversas escalas (multilaterais, nacionais e subnacionais) - e recursos privados de financiamento climático. Dentre estas fontes, há dois tipos comuns de financiamento. Eles podem ser concessionários (empréstimos com condições mais favoráveis e juros abaixo das taxas de mercado), oferecidos pelos chamados fundos climáticos - como o Global Environment Facility (GEF) e Green Climate Fund (GCF) – e por bancos de desenvolvimento. Em contraste, há também os financiamentos não-concessionários, concedidos com juros fixados às taxas de mercado, geralmente disponibilizados pelo setor privado (Tanaka, 2025).

Uma estratégia dominante nos últimos anos tem sido promover o financiamento misto (blended finance), ou seja, combinar recursos públicos com capital privado para reduzir o risco dos investimentos privados por meio de parcerias público-privadas (PPPs) (Flammer et al 2024; Jung 2020; Andersen 2019). No entanto, esta estrutura acaba limitando o acesso dos países do Sul Global ao financiamento, devido aos elevados riscos de endividamento e à concentração dos investimentos no Norte Global (Tanaka, 2025). Portanto, esta abordagem apresenta limitações por não entregar recursos em escala e ritmo necessários para alcançar esta crescente demanda (Attridge & Engen 2019; Pegon 2022; Summers & Singh, 2024) e não endereçar a dívida ecológica.


Neste sentido, cabe destacar uma prática alternativa relacionada ao relevante papel dos bancos públicos no financiamento climático há mais de uma década (CPI, 2024). As colaborações público-públicas consistem no cofinanciamento de projetos entre bancos multilaterais de desenvolvimento e bancos públicos nacionais e subnacionais, reduzindo os custos de capital, promovendo o uso de moedas locais e ampliando investimentos à transição verde e justiça ecológica (Marois et al 2025; Studart 2025; Volz et al 2024).


¹Entretanto, a crescente demanda por investimentos na transição ecológica não vem sendo endereçada nos termos necessários, particularmente pela falta de financiamento para aqueles que mais precisam no Sul Global (Sealey-Huggins 2018; OXFAM, 2023).


Referências:


Andersen, Ole Winckler; Basile, Irene; Kemp, Antonie de; Gotz, Gunnar; Lundsgaarde, Erik; Orth, Magdalena (2019). Blended Finance Evaluation: Governance and Methodological Challenges. OECD Development Co-operation Working Papers No. 51.


Attridge, Samantha; Engen, Lars (2019). Blended finance in the poorest countries: the need for a better approach. ODI Report.


COP 30. Belém Declaration. 2025. Disponível em: https://cop30.br/en/news-about-cop30/documents/cop30-belem_declaration_eng-final.pdf. Acesso em: 2 mar. 2026


CPI (2024). Global Landscape of Climate Finance Database. Updated 12/01/2024. Climate Policy Initiative. Available at: <https://www.climatepolicyinitiative.org/publication/global-landscape-of-climate- f inance-2023/>.


Flammer, Caroline; Giroux, Thomas; Heal, Geoffrey (2024). Blended Finance. Working Paper No. 32287.


Intergovernmental Panel On Climate Change (IPCC). AR6 Synthesis Report: Summary For Policymakers. 2023. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar6/syr/downloads/report/IPCC_AR6_SYR_SPM.pdf. Acesso em: 2 mar. 2026.


Jung, Hongjoo (2020). Development finance, blended finance and insurance. Published in International Trade, Politics and Development, Vol. 4 No. 1, 2020.


Marois, Thomas; Woolford, Jacob; Güngen, Ali Rıza; Régis Marodon (2025). Realizing the Potential of National Development Banks to Boost Sustainable Development Financing with MDB Support,” PBP Working Paper. No. 2025/01, McMaster University, Canada, Public Banking Project.


Michaelowa, Katharina; Namhata, Chandreyee (2022). Climate finance as development aid. In: Michaelowa, Katharina; Sacherer, Anne-Kathrin. Handbook of International Climate Finance. Edward Elgar.


OXFAM (2023). Climate Equality: A Planet for the 99% (Oxfam: Oxford 2023).


Pegon, Matthieu (2022). Mobilizing Beyond Leverage: Exploring the Catalytic Impact of Blended Finance. IDB Invest.


Sealy-Huggins, Leon (2018). ‘The Climate Crisis is a Racist Crisis: Structural Racism, Inequality and Climate Change’ in Azeezat Johnson, Remi Joseph-Salisbury and Beth Kamunge eds. The Fire Now: Anti-racist scholarship in times of explicit racial violence (London: Zed Books 2018).


Studart, Rogério (2025). Partnering for Climate: How MDBs and National Development Banks Can Unlock Green Finance. CEBRI, Policy Papers. Available at: https://cebri.org/media/documentos/arquivos/Policy_Brief_CGD67f53729b56f5.pdf


Summers, Lawrence H; Singh, N.K. (2024). The World Is Still on Fire”, Commentary, Project Syndicate. Apr 15, 2024. Available at: <https://www.project-syndicate.org/commentary/imf-world-bank-spring-meetings-need-to-get-four-things-right-by-lawrence-h-summers-and-n-k-singh-2024-04>

Tanaka, S. Museu Do Amanhã – Documento Técnico. 2025. Disponível em: https://museudoamanha.org.br/api/1.0/assets/3515?signature=05435e2f2dbdddff2c06dd1c7f3be23738ca34f6e22ff5203f463d53cfa7639b. Acesso em: 2 mar. 2026.


UN FFD4. Outcome Document – Fourth International Conference On Financing For Development. 2025. Disponível em: https://financing.desa.un.org/sites/default/files/2025-08/FFD4%20Outcome%20Booklet%20v4_EN%20-%20spread.pdf. Acesso em: 2 mar. 2026


Volz, Ulrich; Lo, Yuen C.; Mishra, Vaibhav (2024). Scaling Up Green Investment in the Global South: Strengthening Domestic Financial Resource Mobilisation and Attracting Patient International Capital, London: SOAS Centre for Sustainable Finance.

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