Pós-desenvolvimento
- Raquel Santos

- 13 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de jul.
O Pós-Desenvolvimento é uma corrente teórica que emerge ao final do século XX, tendo sido anunciada por Wolfgang Sachs em 1992, em sua obra ‘The Development Dictionary’. Ao apontar para o fim da era do desenvolvimento, Sachs (1992) abriu um caminho de possibilidades de investigação que convidou intelectuais dos mais variados campos de atuação a lançar novas perspectivas críticas sobre modos de vida na Terra.
O Pós-Desenvolvimento é uma corrente crítica ao desenvolvimento. Ela tem influência do Pós-Estruturalismo, mirando a análises de discursos e narrativas, mas expande o campo ao defender e legitimar alternativas ao desenvolvimento que estão sendo praticadas no campo. Com isso, a corrente faz dois movimentos. Primeiro, recusa os paradigmas clássicos do desenvolvimento vigentes desde o fim da Segunda Guerra Mundial (como industrialização, globalização, modernização e seus binários). E, segundo, reconhece que outras formas de viver não somente podem ser criadas, como já existem em diversos lugares fora do Ocidente. (Ziai, 2007)
Por trás disso, há também duas ideias-força implícitas. De um lado, a noção de que o conceito tradicional de desenvolvimento é eurocêntrico (o que reforça a leitura de que Ásia, América Latina e África seriam regiões subdesenvolvidas e inferiores vis-à-vis o Norte Global). De outro, que as implicações autoritárias e tecnocráticas do desenvolvimento reiteram relações de poder estruturais. Isso leva à criação de uma expertise e profissionalização de problemas transnacionais, com consequente distanciamento das realidades locais e sua posterior estigmatização. (Ziai, 2007)
Isto posto, as alternativas ao desenvolvimento se relacionam com práticas estabelecidas pelo terceiro setor, grupos étnicos, movimentos sociais, comunidades urbanas e rurais e demais agentes ditos informais. Tais alternativas se baseiam em concepções frequentemente híbridas – isto é, mescladas entre visões convencionais e alternativas – sobre economia (por exemplo, relacionados aos conceitos de solidariedade e cuidado), política (como democracia e participação) e conhecimento (a partir do reconhecimento e legitimação de epistemologias e cosmologias tradicionais e/ou ancestrais).
Ainda assim, divergências e nuances existem entre as variadas correntes que compõem o Pós-Desenvolvimento (como o eco-feminismo, as abordagens neo ou pós-marxistas, as abordagem sociológicas ou antropológicas, a foucaultiana ou construtivista, entre outras), revelando as complexidades do campo. Contudo, o Pós-desenvolvimento permite ampliar o leque de alternativas que buscam provocar mudanças sociais positivas ou desejáveis, bem como reconhecer as já existentes. Isso é feito a partir do recentramento da agência nos sujeitos, haja vista a territorialização e contextualização de suas práticas, necessidades e realidades.
Referências:
SACHS, Wolfgang. The Development Dictionary: A Guide to Knowledge as Power. London; New York: Zed Books, 20101992.
ZIAI, Aram. Exploring post-development. London: Routledge, 2007.

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