Colapso Climático
- Nathália Macedo
- 7 de mai.
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Atualizado: há 4 dias
O colapso climático é uma definição sobre a crise climática que compreende os efeitos de esgotamento ecológico representado pelo alcance ou proximidade aos pontos de não retorno do planeta. Para entender, até mesmo ampliar, o debate, é preciso dar um passo atrás e decifrar as leis da instabilidade que regem nossa era, pois o colapso climático é a expressão de sistemas complexos que ultrapassaram seus regimes de estabilidade, revelando os limites biofísicos e as contradições históricas do próprio sistema civilizatório.
Ilya Prigogine (1996; 2002), em suas contribuições à física, ao romper com a visão mecanicista herdada do paradigma newtoniano, demonstrou que sistemas complexos, abertos, não lineares e imprevisíveis, estão sujeitos a flutuações capazes de levá-los a novos estados qualitativamente distintos, as bifurcações, muitas vezes irreversíveis.
Nesse sentido, o sistema-mundo capitalista, tal como analisado por Immanuel Wallerstein (1974), não diverge dessa lógica: trata-se de um sistema que precisa absorver, de forma contínua e crescente, fluxos de energia e matéria para manter sua ordem interna, levando-o a uma tendência estrutural à acumulação, à concentração e à centralização desses fluxos como condição de reprodução do poder. A natureza, porém, impõe limites materiais à dinâmica de acumulação; John Bellamy Foster (2000) observa que a relação entre sociedade e natureza é marcada por uma ruptura metabólica, na qual o colapso climático expressa o esgotamento dos ciclos regenerativos do planeta.
A lógica dissipativa do sistema-mundo implica que sua estabilidade é energeticamente custosa e estruturalmente precária, pois depende da transferência contínua de custos ecológicos e sociais, geralmente do centro à periferia. Quando os mecanismos de externalização desses custos se tornam disfuncionais, surge o indício de que o sistema se aproxima de um ponto de bifurcação. Nessas conjunturas, podem emergir transições qualitativamente distintas, mas também é possível que o sistema reorganize a crise de modo a preservar sua lógica de acumulação, transformando instabilidade em oportunidade. É nesse sentido que Naomi Klein (2014) argumenta que o capitalismo contemporâneo incorpora a própria crise como estratégia econômica, criando novos mercados, regimes de endividamento e dispositivos de governança.
O colapso climático é, portanto, lógico, intrínseco a um modelo civilizatório que exige dissipação crescente de energia para manter sua funcionalidade. Trata-se de uma crise multiescalar, a materialização histórica das contradições profundas de um sistema que alcançou seus próprios limites planetários. Para além disto, de processo físico e político, ele também é social, porque se manifesta na precarização das vidas, no abandono de territórios, na erosão dos sistemas de cuidado e na omissão deliberada de Estados diante da vulnerabilidade de populações inteiras. Assim, ao se falar em colapso climático, fala-se também em desenvolvimento, sobretudo no que diz respeito ao financiamento climático, à adaptação, à recuperação ecológica e aos deslocamentos forçados, conforme nos relatórios do IPCC (desde 1988).
Referências:
Foster, John Bellamy. Marx’s Ecology: Materialism and Nature. New York: Monthly Review Press, 2000.
Prigogine, Ilya. As leis do caos. Tradução de Roberto Leal Ferreira. São Paulo: Editora UNESP, 2002.
Prigogine, Ilya. O fim das certezas: tempo, caos e as leis da natureza. Com a colaboração de Isabelle Stengers. Tradução de Roberto Leal Ferreira. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1996.
Wallerstein, Immanuel. The Modern World-System I: Capitalist Agriculture and the Origins of the European World-Economy in the Sixteenth Century. New York: Academic Press, 1974.
Klein, Naomi. This Changes Everything: capitalism vs. the climate. Toronto: Alfred A. Knopf Canada, 2014.

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