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Desenvolvimento

Foto do escritor: Maria Villarreal
Maria Villarreal
7 de mai.
2 min de leitura

Atualizado: 24 de jul.

O desenvolvimento tradicionalmente se refere ao processo de crescimento econômico capaz de melhorar as condições de vida da população. Contudo, trata-se de um conceito polissêmico e multidimensional, herdeiro da ideia ocidental de progresso. Formulado no século XX, consolidou-se no pós-Segunda Guerra Mundial, a partir do discurso de posse do presidente norte-americano Harry Truman, em 1949. Nele, Truman defendeu que os Estados Unidos da América (EUA), como nação desenvolvida, deveriam liderar, em cooperação com outros países, o processo de promoção do desenvolvimento nas áreas consideradas subdesenvolvidas. Desde então, o mundo passou a ser dividido entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos/em desenvolvimento, estruturado por binarismos como moderno/atrasado, rico/pobre, avançado/tradicional, que instituíram hierarquias entre nações e classificações como Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo.


No contexto da Guerra Fria, a Ajuda ao Desenvolvimento (AOD) tornou-se instrumento estratégico na disputa entre Estados Unidos e União Soviética. Em meio à descolonização e ao surgimento de novos Estados, o desenvolvimento passou a integrar o projeto de uma nova ordem internacional, marcada pelo protagonismo dos EUA e pelo fortalecimento do multilateralismo. Nesse cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) atuou de forma central por meio de organismos como a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), dedicados à promoção do desenvolvimento em escala global.


O desenvolvimento se consolidou como projeto político e campo acadêmico, dando origem a subdisciplinas como a Economia do Desenvolvimento. No pós-guerra, predominaram interpretações como a teoria do crescimento e a teoria da modernização, elaboradas por autores como Walt Whitman Rostow e Arthur Lewis, que tomavam o Ocidente como modelo e indicavam caminhos para alcançar o desenvolvimento. Em contraposição, surgiram perspectivas críticas reunidas na teoria do subdesenvolvimento como o estruturalismo, o neomarxismo e a abordagem dos sistemas-mundo, com destaque para a contribuição latino-americana, especialmente por meio da teoria da dependência, formulada por autores como Rául Prebisch, Fernando Henrique Cardoso, Enzo Faletto, Theotônio dos Santos, Osvaldo Sunkel, Vânia Bambirra entre outros. Com a globalização, tais debates foram gradualmente substituídos pelas abordagens neoliberais e as correntes neoestatistas, com contribuições de diversos autores como Amartya Sen, Milton Friedman, Hernando de Soto, Joseph Stiglitz e Paul Krugman.


Progressivamente, críticas teóricas, reivindicações do Terceiro Mundo e demandas de movimentos sociais, como o ecologismo e o feminismo, evidenciaram os limites do desenvolvimento, frente à persistência da pobreza, das desigualdades e da degradação ambiental, qualificando o termo com adjetivos como sustentável, humano, com perspectiva de gênero e inclusivo. Ao mesmo tempo, o pós-desenvolvimento passou a questioná-lo como um discurso e projeto ocidental hegemônico e de caráter colonial, que deve ser superado por alternativas pluriversais. Entre os principais autores destas perspectivas destacam-se Wolfgang Sachs, Gustavo Esteva, Arturo Escobar, Gilbert Rist, Majid Rahnema, Alberto Acosta, Mariastella Svampa, James Ferguson, Vandana Shiva, Serge Latouche e Ailton Krenak, entre outros.


Ainda assim, o desenvolvimento foi reconhecido como direito humano pela ONU (Resolução 41/128, de 1986), e segue orientando políticas públicas e a cooperação internacional, como na Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).


Referências:


OJEDA, Tahina; VILLARREAL, Maria (eds.). Pensamento crítico latino-americano sobre desenvolvimento. Buenos Aires: CLACSO, IUDC-UCM, FAPERJ, 2021.


PAYNE, Anthony; PHILLIPS, Nicola. Development. Cambridge, Polity Press, 2010.

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