top of page
Logo Abordagens Críticas ao Desenvolvimento ACD rede

Justiça Ecológica

Fernanda Souto e Larissa Pereira Santos
23 de set.
2 min de leitura

Ao se pensar a “Justiça Ecológica”, somos convocados a confrontar a lógica do desenvolvimento hegemônico. Não é possível construir uma justiça verdadeiramente plural, que respeite as mais diversas formas de se relacionar, entre humanos e não-humanos, sem reconhecer que são as comunidades que definem seus modos de existir.


Ao se pensar no território de Piquiá, na cidade de Açailândia, Maranhão, Amazônia, as pessoas chegaram e viram a floresta e o rio como a verdadeira riqueza. A floresta era cheia de pés de Pequi, cortada pelo rio Piquiá. Esse foi o horizonte de quem chegou primeiro na comunidade Piquiá de Baixo.. Mas logo chegou a promessa de “des-envolvimento” marcada pelas estradas que já cortavam a natureza, pela Ferrovia Carajás e pelas empresas siderúrgicas que foram instaladas no meio de uma comunidade com mais de mil habitantes, com modos de vida já constituídos.


O “des-envolvimento” anunciado por essas estruturas de produção (ferrovia, estradas e empresas siderúrgicas) se consolidou na contramão da justiça, no corte abrupto das interações ecológicas e sociais. A justiça deveria estar associada ao entendimento de que essas estruturas são construções, feitas a partir dos territórios, levando em consideração as diferenças e as necessidades de se manter uma teia de vida equilibrada. No lugar dos termos da sustentabilidade como impostas pelos dicionários da burocracia, o respeito real, a busca pela materialidade da igualdade -. O “des-envolvimento” rompeu com um ecossistema social, cultural e político. Rompeu com a possibilidade de justiça ecológica para estabelecer uma ideia de desenvolvimento distante do ideal da Ecologia.


Como disse Antônio dos Santos Bispo, em “A Terra dá, a Terra quer” (2023), vivemos em mundo para compartilhar, para realizar o encontro. Aqui está uma concepção de justiça ecológica, baseada na sustentação da relação entre humanos e não humanos, entre gente e natureza. É nessa sustentação que se garantem os direitos humanos e os direitos da natureza. Humanos e natureza são colocados então em um mesmo nível, no qual os múltiplos direitos devem ser garantidos para o gozo da vida.Quando a terra deixa de ser uma “coisa essencialmente econômica” separada das pessoas, natureza e justiça são conceitos que andam juntos, não na teoria, mas na vivência fundamentada.


Baseados no pensamento ancestral dos Quilombos do Brasil, “o desenvolvimento que se constitui na exploração da natureza e das pessoas precisa deixar de existir para que se cumpra um “desenvolvimento de envolvimento (Silva, 2027), que caminhe na relação cíclica, no bem viver dos territórios e comunidades e na escuta da natureza.



Referências:


SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. Imagens de Santídio Pereira. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023. Silva, Josicléa Pires da. A riqueza e a pobreza ao longo do corredor Carajás: os impactos dos projetos de mineração nos territórios quilombola Santa Rosa dos Pretos e Monge-Belo. Monografia (Graduação) – Curso de Pedagogia da Terra, Universidade Federal do Maranhão, 2017.

Posts recentes

Ver tudo
Direito à Consulta Livre Prévia e Informada

Versão reduzida 1 O direito à consulta livre, prévia e informada (CLPI)¹ constitui um dos principais marcos do direito internacional contemporâneo na redefinição das relações entre Estados, povos indí

 
 
 
Abordagens Críticas ao Desenvolvimento

As abordagens críticas ao desenvolvimento, de modo geral, são aquelas que questionam o modelo de desenvolvimento hegemônico vigente e que incorpora certos pressupostos modernos ocidentais daquilo que

 
 
 
Colapso Climático

O colapso climático é uma definição sobre a crise climática que compreende os efeitos de esgotamento ecológico representado pelo alcance ou proximidade aos pontos de não retorno¹ do planeta. Para ente

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page